19 de junho de 2013

Resenha: A Batalha do Apocalipse

Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Edição: 35º/ 2012
Número de Páginas: 586

Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

Pra quem não conhece as histórias Bíblicas, Deus criou o Mundo e tudo o que há nele em seis dias e no sétimo descansou. No livro de Eduardo Spohr, Deus, ou Yahweh, como é nomeado na história, dormiu no sétimo dia, e despertará ao seu findar. Segundo a história vivemos os dias do “Sétimo Dia” e seu fim será anteparado pelo Apocalipse e a Grande Batalha do Armagedom.

Em seu descanso milenar, quem assumiu o comando do Céu foi Miguel, o Príncipe dos Anjos, segundo o mesmo, fora o próprio Yahweh que o incumbira da responsabilidade. Mas Miguel era um ser tirânico, e usou do poder que tinha em mãos para por em prática um desejo que tanto lhe ansiava: exterminar a vida Humana da face da terra. Mas nem todos os celestes acatavam seus ideais, e um grupo em particular, liderado pelo general Ablon, tentou destroná-lo, mas a ofensiva foi em vão, pois Lúcifer, a Estrela do Alvorecer, traiu o general, fazendo com que Miguel o lançasse junto de seu séquito de seguidores na hareb (ou Terra).

Na Terra, Ablon e seus seguidores eram considerados renegados e deveriam sempre estar em fuga das ordens celestiais que tinham ordens de exterminá-los. Por isso, Ablon decidiu que deveriam se separar, para poderem se esconder e passar despercebidos do Arcanjo tirânico e seus ordenados. Assim começa uma odisséia de acontecimentos que levam o Primeiro General a vaguear pelo Planeta por eras. Em uma dessas eras, ele conhece Sahmira, uma feiticeira capaz de conversar e ressuscitar mortos, capturada pelos capangas do Imperador Nirod o rei da Babilônia e arquiteto da mítica torre de Babel. Ablon a liberta e a leva ao seu esconderijo nas montanhas tornando-se assim amigos, amizade que perpetua durante os séculos.

A Batalha do Apocalipse apesar de ser uma obra ficcional, retrata com sinceridade e transparência valores e defeitos contidos na humanidade. Apesar do livro se focar somente no embate dos seres celestes, Spohr os usa para representar o que há de pior e melhor em nossa sociedade.

Mesmo com a presença de elementos religiosos, o livro em nenhum momento faz apologia à religião. Usando-a apenas como mero mecanismo de representação. Pegar algo Sacro, idealizado para representar algo impuro e corrupto. Poderia até sugerir, que nas entrelinhas o autor faz uma crítica à religião Católica, configurando seus personagens celestes a representar o Vaticano e seus fiéis, um exemplo de como os “superiores” manipula seus seguidores e deturpa os verdadeiros ideais da fé. Mas como disse anteriormente, é apenas suposição.

Em analogia, o livro mostra homens e anjos como se fosse uma só espécie. Mesmo vivendo em planos diferentes os interesses e as ambições são as mesmas, a ponto de que tudo que ocorre no Céu influencia na Terra.

Diz-se que evolucionismo e criacionismo são opostos, Spohr em sua história consegue criar um conectivo entre as duas teorias, apesar de soar incoerente, faz muito no sentido na narrativa.

Falando nela, o autor utiliza-se de uma escrita mais rebuscada e pouco usual no cotidiano, pode causar estranhamento inicialmente, mas ao decorrer da trama demonstra-se necessária por retratar uma batalha que começara há milênios.

A Batalha do Apocalipse é um livro ambíguo e totalmente subliminar. Você pode lê-lo apenas como fantasia, ou interpretá-lo como um retrato da realidade. Tudo dependerá de como quiser enxergar as coisas, pois o próprio livro incita a este pensamento.


Nota: (5)

4 comentários:

  1. Louco nesse livro :D

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/ ( comenta lá :D )

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  2. Ainda não tinha lido nenhuma resenha do livro, mas gostei dele incitar essas diferentes interpretações. Vou adicionar a minha lista de leitura.

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