12 de julho de 2013

Papo de Orelha: Maurício Gomyde

Papo de Orelha é um meme do blog Books All Over You criado para entrevistas com autores nacionais.


Maurício Gomyde

Autor dos livros: "O Mundo de Vidro", "Ainda não te disse nada" e "O Rosto que Precede o Sonho".




1- Olá Maurício, quando você começou a escrever e porquê?
R: É muito difícil precisar o momento exato em que aconteceu o "click" que plantou em mim a necessidade de escrever. Acho que tudo é meio como um processo que, no meu caso, começou lá com quatorze ou quinze anos. Eu estudava em uma escola (Colégio Alvorada) que exigia muito dos alunos no que dizia respeito a escrever. Lembro-me de ter que entregar todas as segundas-feiras cinco redações. Uma por dia. Acho, sinceramente, que é algo fantástico. Hoje em dia as crianças escrevem muito pouco. Não estou dizendo que deveriam escrever com lápis e papel. Que seja no computador, mas que aconteça. O estímulo à criatividade é fundamental, e acho que isso passa pela repetição, pela cobrança sem opressão (para a criança não tomar raiva daquilo... rs). Se o professor, ou os pais, estimulam isso, o gosto pela leitura e pela escrita vai se solidificando na criança. Comigo foi assim.

2- Das suas obras já publicadas, li apenas "Eu ainda não te disse nada". Pude perceber na história o uso de muitas referências musicais. Qual é objetivo de usá-las ?
R: Sempre fui músico, venho de uma família de músicos. Não consigo dissociar a escrita da música. Só escrevo com música tocando (neste momento toca John Butler Trio... rs). Acho que são, no meu caso, atividades complementares. Escrevi muita letra de música, e acho que tentar inserir música nas letras dá um gosto especial ao momento em que o leitor está com o livro nas mãos. Por isso, faço trilha-sonora das histórias. Se o leitor acompanha a história e procura ouvir o que sugeri, pode ter boas surpresas.

3- Na trama de Eu ainda não te disse nada", Marina ( a personagem principal) se apaixona através de palavras por uma pessoa que ela nunca viu na vida. Você acredita que existe esse tipo de amor na vida real?
R: Acredito, totalmente! Não estou dizendo que o toque, que o visual, que essas outras formas de percepção não sejam importantes. Pode até ser que na hora H, quando se esteja frente a frente, a coisa não role. Mas isso não significa que a paixão não tenha acontecido. Palavras são muito poderosas!

4- Maurício não sei aonde eu li que seus livros serão publicadas fora do país. Conte um pouco sua opinião sobre a recepção que a literatura brasileira tem fora do país.
R: Acho que ainda é uma coisa incipiente. Não vejo como um movimento, nem nada. Acho apenas que os brasileiros estão começando a escrever livros melhores, e a internet é um super canal de divulgação. Há como "atravessar o oceano" e despertar curiosidade. O que acho interessante é que há possibilidade de que seja gerado interesse pela qualidade das histórias, e não só apenas por ser algo "folclórico, inusitado, vindo de um país distante". O fato é que o Brasil, hoje, é um mercado potencial e crescente. Se escrevermos bons livros certamente haverá mercado fora. 

5-  Na sua opinião  o que a história precisa ter  para ser um bom livro? 
R: Na verdade, acho que um bom livro é uma conjunção de muitos fatores. Inspiração, ok. Bons personagens, ok. Tema forte, ok. Mas tudo isso não vem sem muito estudo, muita técnica, muito esforço. Acho que se você acha uma boa linha, encontra a veia de uma boa história, então é hora de trabalhar e trabalhar e trabalhar. Não estou dizendo que não possa haver a pessoa que escreva muito bem só com a intuição. Isso acontece, mas é exceção. Para 99% dos casos (o meu, por exemplo), deve-se procurar aplicar a melhor técnica, entender como os personagens vão crescer, qual será sua evolução. Procurar plantar as ideias corretas nos lugares mais fortes. O Santo Graal, a meu ver é, a cada página, "o que terá nesta página que fará o leitor sentir NECESSIDADE de virá-la"?

Um comentário:

  1. Ótima entrevista. Sucinta, mas disse muito. Adorei e fiquei curiosa sobre o autor.

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