31 de julho de 2014

Resenha: Meu Amigo Jesus Cristo

Autor: Lars Husum
Editora: Gutemberg
Edição: 1/2013
Número de Páginas: 288

Nikolaj tem apenas 13 anos quando perde os pais em um acidente de carro na Dinamarca, ficando aos cuidados de sua irmã, Sis, sete anos mais velha. Com o tempo, o pesado fardo de tomar conta do irmão problemático fica insuportável, mas ele, mesmo já adulto, não consegue suportar a ideia de perder a proteção da irmã. E vai a extremos para chamar sua atenção, colocando em perigo a própria vida e a de quem está à sua volta. Filhos da maior estrela de rock do país, amada por milhares de fãs, eles recebem uma grande herança, que os deixa ricos. Mas o dinheiro nunca compensará a enorme dor da perda. Um dia, abalado, chega em casa e encontra um desconhecido sentado no sofá. É um motociclista corpulento e barbudo, que parece imune às ameaças de Nikolaj. Diz se chamar Jesus Cristo e o aconselha a limpar seu passado e a ajudar algumas pessoas para que tenha uma vida melhor. Curiosamente, mesmo sem saber quem é aquele estranho, no auge do desespero o jovem acaba aceitando sua ajuda e suas orientações incomuns. E as consequências são surpreendentes…


Meu amigo Jesus Cristo é um livro que fala das desventuras de um homem chamado Nikolaj. Fora dos padrões heroicos, ele é um cara inconsequente, egoísta e mimado, se metendo sempre em confusões, busca na irmã mais velha um porto seguro. Sua vida perde o sentido quando Sis a irmã, decide por um ponto final em tudo. Sozinho e desolado encontra em Jesus, um motoqueiro de sandálias e calça de couro, o caminho para se redimir.

Apesar de ser um livro de redenção, nenhuma atitude de Nikolaj é plena, ele vai sempre comendo pelas bordas.  Lars Husum (o autor)até  tentar criar um motivo para seu protagonista ser dessa maneira, mas suas tentativas são todas nulas, confesso que inicialmente odiei Nikolaj com todas as minhas forças, claro tudo graças ao idealismo heroico da literatura, mas à medida que a história se desenrolava, toda a fúria do personagem e esquisitice ficava cada vez mais verossímil com a realidade humana. Apesar da abordagem, em momento algum o autor tenta criar paradoxos, o próprio autor é descrente com a redenção.

Foi uma leitura estranhamente encantadora, Nikolaj é desprezível, carrega em si toda a negatividade do homem, ou até mesmo do próprio autor?! Apesar de dar abertura a discussões a própria narrativa faz questão de encerrá-las. Percebe-se que o objetivo não é a reflexão e sim a conotação que o personagem tem. 


Nota: (4)

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